António Variações


De Braga a Nova Iorque é o título do Novo CD de António Variações posto hoje à venda. O artista que dizia querer ficar na história, nem que fosse na história de uma parede de casa de banho, vem com este disco, editado 22 anos depois da sua morte, provar que ficou na história da música portuguesa. Composto por todas a músicas já editadas e também por algumas maquetas que deram origem às versões das músicas gravadas pelos Humanos, fazem também parte desta edição, a faixa, “Comprimido” , a canção com que apareceu pela primeira vez no Passeio dos Alegres, vestido de aspirina e a atirar smarties para o público. O “Não me consumas” aparece numa versão ao vivo no Rok Rendez Vous.
Se no princípio da sua carreira a crítica teve alguma dificuldade em catalogar este compositor, autor e interprete, que conseguiu fundir a música tradicional portuguesa com o rok, hoje unanimemente se rende a seus pés.
O nome deste trabalho surge de uma sugestão que Variações deu aos músicos aquando das gravações do seu primeiro álbum, nos arranjos de uma canção, disse que queria um estilo entre Braga e Nova Iorque.
Para além deste trabalho, seguem-se ainda dois livros, uma biografia e uma foto biografia, bem como um filme que está já a ser preparado.
Variações veio dar um pouco mais de colorido a um país que na década de 80 era ainda muito cinzento. Era uma figura popular e gostava de falar com as pessoas na rua quando o reconheciam.
Quando no final de um espectáculo lhe estendo a mão no camarim para o cumprimentar, ele não me aperta a mão, dá-me antes um grande abraço como se já me conhecesse há muito tempo.
Foi sempre um artista muito à frente do tempo em que viveu, daí as letras das suas canções continuarem tão actuais.
Quando questionado pelo jornalista se a sua forma de estar na vida é uma provocação, Variações responde:
“O que é preciso é mexer com as pessoas, fazê-las pensar, alargar as suas vias de vida, fazê-las reflectir, ajudá-las a libertarem-se de coisas ridículas, mesquinhas, fechadas, idiotas e tirar-lhes uma máscara que não é possível manter nos tempos que correm.”
Nada tão simples como:
“Muda de vida se tu não vives satisfeito...”


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