erva daninha a alastrar

quinta-feira, maio 18, 2006

Touradas


Aí está Lisboa no seu melhor.
Uma praça de touros reconstruída, onde se gastaram milhões, a respectiva inauguração onde não faltaram os famosos da nossa praça. E vá de touros para a frente. É o que o nosso povo gosta.
Quando não abrimos o jornal para nos comovermos com as desgraças dos outros, vamos ver uma corrida de touros, que de corrida não tem nada. Assistimos numa atitude sádica ao sol ou à sombra, em camarotes ou barreiras, ao sangue do touro que escorre depois das farpas presas no seu corpo.
É A ARTE MINHA GENTE. A TRADIÇÃO É A CULTURA DE UM POVO. A CULTURA DA TORTURA. Depois do touro cansado, vêm as “pégas de caras” onde os forcados amadores perfilam com as roupas justas ao corpo, e quando o touro investe, aproveitam para fazerem o que não fazem no seu quotidiano e roçam os corpos suados uns nos outros, apalpam-se e abraçam-se em torno do animal com sangue á mistura. O povo grita “olés” num misto de raiva e vitória. Como epilogo, temos as vacas que aparecem e levam finalmente o touro para a morte, depois de muito tempo de sofrimento.
É de bem ir ver uma corrida de touros ao campo pequeno. No final, é só descer e o centro comercial aí está para o fim de um bom espectáculo. Mais umas “comprinhas” não fazem mal a ninguém e ajudam a levantar a auto estima em tempo de crise.