erva daninha a alastrar

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Páginas da Vida


O serviço público de televisão parece resumir-se à RTP2 que por acaso é vista por 2 a 3 % dos telespectadores. Será bem gasto o dinheiro público para promover o desenvolvimento cultural, a informação e a educação de um país em que continua com apenas 8% da sua população licenciada?
Por vezes somos surpreendidos por canais privados que fazem realmente serviço público, tais como a SIC Notícias ou ainda por programas que aliando o entretenimento com a informação fazem-nos reflectir sobre alguns problemas sociais. Estou a referir-me à telenovela “Páginas da Vida” a passar na SIC.
São vários os temas abordados neste argumento, desde o alcoolismo, passando pela adopção, pelo drama dos refugiados, a bulimia, a visão natural da homossexualidade. Num dos últimos capítulos, a professora do ensino especial, sugere à mãe de uma criança com Síndrome de Down algumas medidas pedagógicas. A personagem interpretada por Regina Duarte, luta para que a sua filha seja incluída numa sala de ensino regular, mas depara-se com o problema da exclusão, pois a cada escola que vai, é-lhe dito que a instituição não está preparada para receber uma criança com esse tipo de deficiência. O drama de uma freira que se irá apaixonar por um paciente com sida é também abordado nesta novela bem como os problemas resultantes das diferenças étnicas e que ainda provocam reacções menos dignas.
Recheada dos melhores actores brasileiros, Manuel Carlos, o autor de “Páginas da Vida”, inspira-se nos jornais que lê para escrever os guiões e criar as suas personagens.
Diariamente o público que assiste a esta novela, familiariza-se com estes problemas do quotidiano e facilmente os interioriza. O pequeno ecrã tem o poder de mudar mentalidades ou de as tornar conservadoras. Neste caso estamos a evoluir no bom sentido.

1 Comments:

At março 02, 2007, Blogger Unknown said...

tenho acompanhado a novela diariamente e confesso que é uma das melhores que vi até hoje. não pela história, não pelos actores, mas sim pelo modo como aborda certas questões. questões essas que não são tema de conversa entre as pessoas no seu dia-a-dia, mas que entraram no ritmo de diálogo e fizeram as pessoas pensar sobre elas. dou por mim a discutir com uma amiga a integração de crianças com síndrome de down em escolas normais, relações homossexuais e factores implicativos, pessoas dependentes do álcool, etc... gosto desta novela porque nos faz pensar e parece-me que poderá levar a uma mudança de mentalidade de certas pessoas, em relação a determinados assuntos...

 

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