A Internet tem destas coisas. Está uma pessoa em casa a trabalhar e recebe um e-mail, de um engenheiro, reencaminhado por uma colega de profissão. E o meu sentimento ao lê-lo, é de tristeza. Não por quem o escreveu, mas sim da pessoa que me o reencaminhou. Não me contive e tive que responder. Aí vai o texto do Sr. Engenheiro:“---------------------- MENSAGEM ORIGINAL ---------------------- Para TODOS os Professores De um engenheiro, marido de uma professora A propósito das avaliações e do processo continuado de desacreditação dos Professores que a Ministra quer impor à opinião pública, gostaria que os Professores pensassem no seguinte:Em vez de fazerem greves inócuas, que ainda por cima cheiram a férias desapropriadas entre feriados, os professores deviam pensar seriamente em cumprir integralmente nas suas escolas o seu horário de trabalho. Passo a explicar:Pela manhã, TODOS os professores se apresentavam nas suas escolasparainiciarem o seu dia de trabalho. Agora vai ser necessário um pouco dearitmética, mas da mais básica. Se um professor tem 3 horas de aulas num dia, cumpre mais quatro horas de permanência na escola. Nessas quatro horas é suposto corrigir testes, preparar aulas, elaborarenunciados das provas, etc., etc. tudo o que se relacione com a sua profissão e quenormalmente está habituado (mal) a fazer em casa.É também suposto utilizar as secretárias, as cadeiras, os computadores e asimpressoras da escola para o seu trabalho. É que também é suposto que,antesde exigir resultados, a escola lhe forneça condições de trabalho. No final das sete horas de trabalho diário (7 x 5 = 35) saíam da escola para casa, deixando na escola o trabalho queficou por fazer *.Facilmente os Conselhos Executivos chegarão à conclusão que a escola não oferece condições aos professores para que estes trabalhem, e terão que o comunicar ao Ministério, ou não há seriedade.Ou tentarão os Conselhos Executivos agir de forma a convencerem osprofessores de que como estes se acotovelam na escola o melhor será iremparacasa?Mas poderão os professores ser penalizados por quererem exercer oseutrabalho no local de trabalho que lhes está por natureza determinado? Deixem de ser um bando e passem a actuar como um grupo. TODOS para as escolas desde manhã a cumprirem o horário de trabalho naescola, o local de trabalho natural. Atasquem completamente as escolas coma vossa presença e deixem que a ausência de condições de trabalho faça o resto.Deixem-se de greves inócuas e atrapalhem verdadeiramente o sistema deforma legal.Provem de uma vez por todas que querem trabalhar e que este patrão não vosdá condições de trabalho apesar de vos exigir resultados, e ainda porcimaenxovalhando-vos continuamente.Substituam os sindicalistas que vos representam tão mal e que já não sabem o que é dar uma aula há mais de 20 anos por Professores que saibamdiscutir os assuntos de forma séria.Sejam de uma vez por todos PROFESSORES UNIDOS.Se assim não for, rendam-se às evidências e façam o trabalho dosauxiliareseducativos, que ajudam o ministério a poupar uns cobres.E NÃO SE QUEIXEM.Para quem não sabe, não sou professor. Sou um reles engenheiro que às vezes pensa nestas coisas, muitas delas quando às quatro ou cinco damanhã grito para a minha mulher que está no escritório a corrigir testes epergunto se não se vem deitar.Agora façam a vossaparte. Façam forward deste mail para todos os vossosamigos, especialmente os professores. Comecem a divulgar esta ideia e -- Filipe Pinheiro de Campos Bragança
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A minha resposta:
Snr Engenheiro, por muito que lhe custe estamos em 2007 e não em 1973.
O direito à greve está consagrado na constituição e sempre que ponham em causa os nossos direitos, somos livres de protestar da forma que entendermos.
Se a sua mulher não quer ir para a cama consigo, e se fica no escritório fechada, até às tantas da manhã não sei com quem, os sindicatos não têm culpa, não acha? Acho que o seu problema é conjugal e não profissional. Os professores não se vão acomodar como pretende e vão resolver os seus problemas com a ajuda dos sindicatos, que ainda são a organização que mais luta em sua defesa. Quanto a si, mude de estratégia porque a desculpa da dor de cabeça eu já conhecia, agora essa do escritóro….
Luís Cunha


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