erva daninha a alastrar

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Insegurança



O relato que vou fazer, passou-se na noite de Sexta Feira antes do natal, no Barreiro, com um jovem namorado de uma rapariga que apenas conheço de vista. O episódio impressionou-me e por isso o partilho convosco.
Um jovem de 25 anos, estudante de psicologia, ao chegar ao seu carro, depois de sair do bar onde trabalha, pelas 4 horas da manhã, depara-se com 3 homens, de alta estatura, musculados. Um deles avança na sua direcção e pede-lhe uns trocos. Como nada tinha na carteira e facilmente se apercebeu que ia ser assaltado, prontificou-se a dizer que não tinha dinheiro, mas que dava o relógio, a carteira ou o que eles quisessem. – Não tens, mas devias de ter! - Responde o assaltante.
De referir que este homem era branco, português de aparência, e sempre agiu sozinho em tudo o que fez, embora acompanhado por mais dois.
O assaltante não esteve com meias medidas, tirou o seu cinto de cabedal e atou-o ao pescoço da vítima. Andou duas horas pelas ruas desertas do Barreiro naquela altura, sempre a levar murros na cabeça, pontapés e agressões verbais, arrastado pelo cinto. Passou por 2 caixas de Multibanco, onde foi obrigado a levantar dinheiro. Foram 400 euros que conseguiu levantar. Depois de ser libertado, foi à esquadra da polícia da sua residência apresentar queixa de pessoas que nunca antes tinha visto e que nem conhece. O agente da polícia disse-lhe que a queixa deveria ser feita na esquadra do local da agressão. Ainda teve forças para ir apresentar a referida queixa.
Passou os dois dias seguintes a chorar junto da família.

Em conversa com um agente da PSP em Agosto, fiquei a saber que não se formam polícias desde 1998. Na área do Barreiro apenas existe uma patrulha nocturna para toda a cidade e zonas limítrofes.
Vivemos num clima de insegurança e alguma coisa tem de ser feita.
As contenções na despesa para a redução do défice não podem ser cegas. Existem serviços que têm de ser assegurados. Um estado de direito tem de zelar pela segurança dos seus cidadãos. O que aconteceu a este jovem, pode acontecer a qualquer um de nós.
As feridas físicas vão sarando, mas as psicológicas podem demorar mais tempo.
Eu pago os meus impostos todos os meses. Não estou em dívida para com o estado, mas ele está em dívida para com todos nós.