erva daninha a alastrar

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Mistura de culturas


A minha amiga Isabel, professora, formou um grupo de musica e dança que se chamava "Mistura de Culturas". Alunos de várias etnias encontravam-se e ensaiavam danças, musicas para além de aproveitarem esse tempo para conversarem e conviverem.
Isto é educação.
A educação também passa por colocarmos em prática os nossos ideais.
A ausência de educação, de cultura e de informação, leva a que de vez em quando, nos deparemos com pessoas portadoras de comportamentos xenófebos. (P.P.C.X.)
Ontem, num café, ouvi uma P.P.C.X ( eu sei que a sigla é foleira, mas é propositado) que dizia estar farta de brasileiros, interrogando-se porque é que eles não iam todos para a sua terra. Esta PPCX esquece-se que somos 10 milhões de portugueses a viver em portugal mais 5 milhões espalhados pelo resto do mundo. Quando aqui não havia trabalho, e quando os salários eram insuficientes para se viver ( não quer dizer que agora não o sejam), muitos portugueses emigraram.Ela não sabe ou não quer saber, que o desenvolvimento do nosso país se faz com a ajuda não só de brasileiros, como de tantos homens e mulheres vindos dos mais diversos cantos do mundo. Muitos estão cá legalmente, outros ainda não têm o visto. Destes quantos não são explorados por patrões sem escrupolos que se valem da sua situação?
E o que dizer da dificuldade que os meus amigos caboverdianos tiveram em arranjar casa em Lisboa? Ao telefone tudo bem, mas quando apareciam, a casa já estava alugada a outros. Isto tem de ser dito, porque o país dos brandos costumes, pelo menos na capital está a ficar com muitas com muitas PPCX.
O facto de já termos um governo de direita e de provavelmente os portugueses escolherem um presidente também de direita, incomoda-me . Há dias, um candidato a presidente, referia que dos 8.500 vistos previstos para 2004, apenas foram concedidos 164. Estamos com medo do quê? Continuamos com a nossa mentalidade mesquinha e fechada ao mundo? Se os imigrantes que estão ilegais se legalizassem, faziam descontos para a segurança social, para o IRS, tinham direito ao sistema de saude. Era melhor para todos. Se as pessoas estão cá e trabalham é porque fazem falta. Claro que tem de haver limites, mas quando as pessoas não encontrarem trabalho, de certeza que não vão ficar.
Eu gosto de aprender com os outros. Adoro o Xau-mi feito pela mãe da Jécy, um prato timorense muito bom, a feijoada à brasileira, a carne à permediana, ou os lanches com que a D. Elza me mimoseia, para não falar do melhor suco que eu alguma vez bebi, o de graviola. E a Caxupa feita pelo Daniel ou pela mâe do Rui? e as migas alentejanas com entrecosto feitas pela mãe da Rosa? Estou muito grato por ter amigos de várias etnias.
As pessoas são cidadãos do mundo. Todos têm o direito de serem respeitados.
Aí vai uma canção do Ney que eu adoro.
OMundo
O mundo é pequeno pra caramba
Tem alemão, italiano, italiana
O mundo filé milanesa
Tem coreano, japonês, japonesa
O mundo é uma salada russa
Tem nego da Pérsia, tem nego da Prússia
O mundo é uma esfilha de carne
Tem nego do Zambia, tem nego do Zaire
O mundo é azul lá de cima
O mundo é vermelho na China
O mundo tá muito gripado
O açucar é doce, o sal é salgado
O mundo caquinho de vidro
Tá cego do olho, tá surdo do ouvido
O mundo tá muito doente
O homem que mata, o homem que mente.
Porque você me trata mal, se eu te trato bem?
Porque você me faz o mal, se eu só te faço o bem?
Todos somos filhos de Deus
Só não falamos a mesma lingua.