erva daninha a alastrar

domingo, janeiro 01, 2006

Passagem da Multidão



Sei que a cultura é também a identidade de um povo. Profissionalmente tento respeitar e comemorar as datas de maior importância. Pessoalmente, estou sem pachorra.
A comemoração da passagem de Ano começa a cansar-me. Já não estou a fim dos concertos de rua, tipo Praça do Comércio onde toda a gente vai, em que se apanham os banhos de espumante à meia noite e depois se vê o fogo de artificio, que por acaso é sempre igual. Os jantares em casa de amigos, numa altura destas, em que se come o marisco e à meia noite ficamos todos muito contentes, também já não me seduzem. Começo também a ficar cansado de ir a sítios com montanhas de pessoas. Dá-me mais prazer, sair a um dia de semana, onde os bares têm pouca gente, podendo-se conversar e beber um copo tranquilamente. No Verão procuro praias desertas ou com pouca gente. No Inverno já não há o perigo das multidões nas praias e pode-se ler um livro tranquilamente tendo como cenário o mar. Aos poucos começo a descobrir que me dá mais prazer viver ao contrário dos outros.
Quando digo que passei a noite de passagem de ano sozinho em casa, a ler, a ouvir música, com a lareira acesa, as pessoas não entendem muito bem, mas para mim foi uma óptima passagem de ano.