As escolhas da SIC
No passado domingo à noite a SIC transmitiu os Globos de Ouro, onde os artistas que mais se distinguiram no ano de 2005 foram premiados com a referida estatueta. Durante a primeira hora, assistimos à passagem pelo grande tapete vermelho das estrelas da noite e também de convidados. Durante esse período pudemos assistir a um grande desfile de moda, onde três entrevistadores, um em cada ponto do tapete vermelho, conversavam com quem pisava o tapete da fama. Ficámos a saber quais os estilistas que vestiram as estrelas, o porquê da ausência de acompanhantes de alguns convidados e mais importante ainda, a Biba Pitá, que apesar de ter nome de galinha, resolveu dar a notícia ao país e em directo, da sua gravidez. Mostrou bem a barriga vincando o vestido preto que contrastava com o seu louro oxigenado.
Mas o mais lamentável da noite estava para vir. José Castelo Branco apareceu com a sua mulher (?) ao mesmo tempo que Carlos do Carmo. A repórter nem hesitou em escolher quem ia entrevistar. Escolheu o ser andrógino, que se abanou, enfrentou a câmara de de caras e disse meia dúzia de “bacoradas”. Entre um homem que nada tem na cabeça, para além de perfumes, roupas, anéis, criados e uma mulher rica, e outro que tem uma carreira dedicada ao fado, um homem culto que dá gosto ouvir falar, a repórter escolheu o primeiro. Este é o reflexo do que se passa no nosso país. Sei que esta é apenas uma cena passageira desta cerimónia, mas neste momento ficou claro na minha cabeça o porquê do estado a que chegou a nossa televisão. Castelo Branco dá mais audiência que Carlos do Carmo, mas é tão triste que um país com a história e a cultura de Portugal, opte pelo ridículo, pelo vazio em detrimento do culto, do pensador.


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