erva daninha a alastrar

sábado, fevereiro 02, 2008

O que um homem é capaz

Aproveitando as férias de carnaval, venho até ao Continente procurar fugir do carnaval. Por cá tento tirar partido do que posso.
Acabei de Assistir a um concerto de José Mário Branco, no Teatro Municipal de Almada. Canções recentes, canções mais antigas mas todas muito actuais. Parece que foram escritas ontem. O Charlatão, cantada pelo bastonário da ordem dos advogados, estaria perfeita, ou até mesmo dedicada a Sócrates, com tanta assinatura de projectos e mais projectos, negócios e mais negócios. Não com a voz de outros tempos, mas com a mesma alma, o mesmo sentir das canções que ia cantando, José Mário Branco, conseguiu arrancar da plateia totalmente esgotada, os aplausos merecidos. Ao meu lado, uma senhora perguntava ao marido, se já tinha passado uma hora, admirando-se do fim do concerto. Realmente passou num instante. Uma das canções que desconhecia, mereceu-me a máxima atenção. Aí fica o poema:
Do que um homem é capaz

Do que um homem é capaz
As coisas que ele faz
Para chegar onde quer
É capaz de dar a vida
Pra levar de vencida
Uma razão de viver

A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho
E quem pensa estar parado
Vai no sentido erradoa caminhar sozinho

Vejo gente cuja vida
Vai sendo consumida
Por miragens de poderagarrados a alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca onde fazer
Vão poluindo o percurso
Co’ as sobras do discurso
Que lhes serviu pr’ abrir caminho
À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
P’ra consumir sozinho

Com políticas concretas Impõem essas metas
Que nos entram casa dentro
Como a TrilateralCo’ a treta liberal
E as virtudes do centro
No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo pl’o caminho
P’ra castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sozinho
Ficam cínicos, brutais
Descendo cada vez mais
P’ra subir cada vez menos
Quanto mais o mal se expande
Mais acham que ser grande
É lixar os mais pequenos

Quem escolhe ser assim
Quando chegar ao fim
Vai ver que errou seu caminho
Quando a vida é hipotecada
No fim não sobra nada
E acaba-se sozinho
Mesmo sendo os poderosos
Tão fracos e gulosos
Que precisam do poder
Mesmo havendo tanta gente
P’ra quem tudo é indiferente
Passar a vida a morrer

Há princípios e valores
Há sonhos e amores
Que sempre irão abrir caminho
E quem viver abraçado
À vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho
E quem morrer abraçado
À vida que vai ao lado
Não vai viver sozinho.