Alice para todos

Gostamos muito de rotular tudo. Dá-nos mais segurança, mais convicção e também poder de afirmação. “Brinquedos para crianças”, como se os adultos estivessem proibidos de brincar. Brincar mesmo na fase adulta é saudável. “Teatro para crianças” é outra das expressões que se ouvem muito, ou então “teatro infantil” como se o teatro fosse uma arte infantil. A peça de teatro que fui ver, “Alice no país das maravilhas" não é uma peça só para crianças, mas sim para todos.
O que o Filipe Láféria está a fazer agora no Politiema, foi o que o Fernando Gomes fez durante muitos anos no Maria Matos. As grandes produções em que tudo aparece, em que os actores voam no palco. Acho importante este tipo de teatro, mas não desprezo o teatro de 2 ou 3 actores, em que praticamente os cenários não existem, mas em que o público participa activamente e o próprio espectáculo nos obriga a sonhar.
A Alice entra num mundo fantástico, em que o rei é anão e a rainha é que manda, em que todos comemoram 324 dias por ano o seu desaniversário. Pelo meio ouvem-se frases que nos ficam na memória, tais como “quem não pensa não fala” ou “se queres alguma coisa é melhor ires atrás dela”.
Tudo isto, misturado com muita fantasia e ternura, são os ingredientes necessários para quem gosta de teatro, não perder esta peça.


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