erva daninha a alastrar

quarta-feira, junho 27, 2007

Só sei que nada sei


Sócrates acaba de processar o autor do blog que colocou em dúvida factos menos claros da licenciatura do primeiro-ministro. Já aqui expus a minha opinião sobre o tema. Há pessoas, que mediante certos factos, opinam conforme a sua consciência, o que é normal num país democrático. O que não é normal é retrocedermos duas décadas e ficarmos piores que no cavaquismo, com um primeiro ministro que não olha em volta, não é sensível aos problemas das pessoas e vive num mundo à parte, desligado de uma sociedade que já não é a sua. A força da mordaça pode-se transformar num silêncio ensurdecedor.

sábado, junho 16, 2007

Lei da Treta



Conhecem-se agora as intenções dos deputados do PS em relação à lei que proíbe o uso do tabaco em estabelecimentos de restauração. Depois de propostas corajosas e correctas, acabam agora por deixar tudo na mesma, em nome do “consenso alargado” sobre esta matéria. Dando a liberdade aos proprietários dos estabelecimentos de restauração em optar por terem “um espaço livre de fumo, ou para fumadores”, não se irão verificar grandes diferenças com o que já existe. Qual o dono do café que vai proibir os seus clientes de fumar, quando no café do lado o podem fazer? Com a crise económica com que nos deparamos, poucos vão ser os pequenos empresários a optar pela proibição do uso do tabaco. Claro que os fumadores passivos, irão continuar a sê-lo, quando procuram um momento de lazer para tomar um café ler o jornal ou até mesmo para lanchar e acabam envolvidos na teia de fumo do cliente da mesa do lado. A coragem na tomada de medidas politicas noutras matérias, contrasta com a que se preparam agora para aprovar. Ou será que esta lei que vai ser aprovada tem em consideração o facto de muitos dos senhores deputados serem fumadores?




domingo, junho 10, 2007

Atrás das Nuvens


"Atrás das nuvens está tudo o que quisermos encontrar, desde que queiramos lá ir."
Jorge Queiroga, realizador do filme “Atrás das Nuvens”

Sou espectador assíduo de cinema português. Não vou dizer que nunca levei grandes banhadas, mas mesmo assim, acho que o cinema português tem realizadores de excelente qualidade. Que me interessa que a crítica diga mal de um filme, se eu vou ver e gosto? O filme que acabo de ver é o “Atrás das Nuvens” e adorei. Nele se abordam os conflitos de gerações. Uma criança que por sua iniciativa decide visitar o avô que ainda não conhece ao Alentejo , descobrindo assim a história da sua vida. A fotografia que mostra a desertificação do interior, a interpretação de Nicolau Breyner que só confirma o bom actor que é. O Argumento e os diálogos bem conseguidos, fazem deste filme um documento essencial da sociedade contemporânea.

sexta-feira, junho 08, 2007

O Tartufo


Tartufo foi escrita por Molière em 1640 mas teve a sua apresentação adiada por diversas vezes. "Molière cortou, reviu para eventualmente conseguir a aprovação do rei. Até hoje, é um enorme sucesso". Tartufo segue os princípios da comédia, sem deixar de parte elementos de farsa e drama. Conta a história de um desconhecido que é acolhido por uma família cuja marca religiosa está próxima do fanatismo. "O estranho vai então procurando enganar cada um dos membros da família", entre momentos que criticam uma sociedade "muito semelhante à dos nossos dias. A encenação de João Mota é excelente, bem como os figurinos, criados por Carlos Paulo. As interpretações de elevada categoria são protagonizadas por um leque de actores que já trabalham há muitos anos juntos e dessa cumplicidade verifica-se um desempenho de qualidade.
Com bilhetes a 5 Euros, não há motivos para deixar de assistir a esta peça que é a centésima criação da Comuna, Teatro de Pesquisa.

segunda-feira, junho 04, 2007

A Noite Passada









A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas "sou gaivota e fui sereia"
ri-me de ti "então porque não voas?"
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste

A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos e então dissemos
aqui vivemos muitos anos

A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"



Durante muitos anos era quase crime fazerem-se versões de músicas de autores portugueses. De há uns anos a esta parte, esse conceito mesquinho diluiu-se. Em alguns casos as versões perdem muito em qualidade, noutros como é o caso da versão cantada pela Lena D’Água, da canção de Sérgio Godinho, em tons de jazz, que está fabulosa.