erva daninha a alastrar

sábado, dezembro 31, 2005

Garcia Pereira desaparecido


A comunicação social usufrui hoje de um enorme poder sobre tudo e todos. Numa reportagem sobre televisão, dizia um jornalista da sic, que esta estação tanto vendia sabonetes como presidentes da república. Dos meios de comunicação social, a televisão é sem duvida o mais poderoso, pois entra-nos pela casa dentro quase sem pedir licença.
Numas eleições presidenciais, como as que vamos ter, as televisões deveriam ser o mais isentas possível. Infelizmente não é isso que se está a passar. Cavaco Silva é levado ao colo pelos órgãos de comunicação, tentando-se criar um mito à sua volta.
O que não se entende mesmo é que um dos seis candidatos, apesar dos protestos que levantou, não tenha aparecido nas entrevistas, nos debates e nas suas actividades de campanha. Todos os candidatos deveriam ter as mesmas oportunidades e direitos. Como podem os cidadãos votar num candidato se não o vêm e se não o ouvem? Como pode a estação pública, não reconhecer a igualdade de direitos a todos os candidatos? É isso o serviço público?

O Ano acabou. Que o próximo traga mais justiça e transparência à nossa democracia.
Um bom ano para todos!

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Odete


Odete, o filme do realizador João Pedro Rodrigues estreou ontem nos cinemas.
O argumento é surpreendente. Ana Cristina Oliveira interpreta uma patinadora de hipermercado, que busca desesperadamente construir uma família. Nuno Gil, no papel de Pedro, perde Carlos (João Carreira) grande amor da sua vida, que morre num acidente de automóvel. A transmissão de emoções e a tentativa de chocar o público estão presentes do princípio ao fim do filme. A solidão e o amor para além da morte, fazem também parte desta longa metragem, em que a busca das personagens pelo quase inatingível é levada ao limite.
A fotografia foi bem escolhida e as interpretações surpreendentes.
Um filme a não perder, para quem gosta de emoções fortes.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Insegurança



O relato que vou fazer, passou-se na noite de Sexta Feira antes do natal, no Barreiro, com um jovem namorado de uma rapariga que apenas conheço de vista. O episódio impressionou-me e por isso o partilho convosco.
Um jovem de 25 anos, estudante de psicologia, ao chegar ao seu carro, depois de sair do bar onde trabalha, pelas 4 horas da manhã, depara-se com 3 homens, de alta estatura, musculados. Um deles avança na sua direcção e pede-lhe uns trocos. Como nada tinha na carteira e facilmente se apercebeu que ia ser assaltado, prontificou-se a dizer que não tinha dinheiro, mas que dava o relógio, a carteira ou o que eles quisessem. – Não tens, mas devias de ter! - Responde o assaltante.
De referir que este homem era branco, português de aparência, e sempre agiu sozinho em tudo o que fez, embora acompanhado por mais dois.
O assaltante não esteve com meias medidas, tirou o seu cinto de cabedal e atou-o ao pescoço da vítima. Andou duas horas pelas ruas desertas do Barreiro naquela altura, sempre a levar murros na cabeça, pontapés e agressões verbais, arrastado pelo cinto. Passou por 2 caixas de Multibanco, onde foi obrigado a levantar dinheiro. Foram 400 euros que conseguiu levantar. Depois de ser libertado, foi à esquadra da polícia da sua residência apresentar queixa de pessoas que nunca antes tinha visto e que nem conhece. O agente da polícia disse-lhe que a queixa deveria ser feita na esquadra do local da agressão. Ainda teve forças para ir apresentar a referida queixa.
Passou os dois dias seguintes a chorar junto da família.

Em conversa com um agente da PSP em Agosto, fiquei a saber que não se formam polícias desde 1998. Na área do Barreiro apenas existe uma patrulha nocturna para toda a cidade e zonas limítrofes.
Vivemos num clima de insegurança e alguma coisa tem de ser feita.
As contenções na despesa para a redução do défice não podem ser cegas. Existem serviços que têm de ser assegurados. Um estado de direito tem de zelar pela segurança dos seus cidadãos. O que aconteceu a este jovem, pode acontecer a qualquer um de nós.
As feridas físicas vão sarando, mas as psicológicas podem demorar mais tempo.
Eu pago os meus impostos todos os meses. Não estou em dívida para com o estado, mas ele está em dívida para com todos nós.

O Bairro do Amor


No Bairro do Amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém,
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
Por gente que sofreu por não ter ninguém.

No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do verão?

É pá, deixa-me abrir contigo,
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão.
Ah, é bom sorrir um pouco,
Descontrair-me um pouco,
Eu sei que tu compreendes bem.

No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar.
No bairro do amor o sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar.

O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há prisões nem hospitais,
No bairro do amor cada um tem que tratar
Das suas nódoas negras sentimentais.

Jorge Palma

segunda-feira, dezembro 26, 2005

As Prendas


É delicioso ver o brilho dos olhos de uma criança a desembrulhar uma prenda. O Pai Natal faz parte do imaginario das crianças e elas sabem que nesta altura, ele vai aparecer com um saco cheio de prendas e que as coloca num sapatinho que está na chaminé.
Os pais, familiares e amigos, oferecem nesta altura os seus presentes.
Hoje os presentes aparecem com uma maior facilidade do que apareciam há uns anos atrás. Os pais por vezes tentam compensar os seus filhos com as prendas que não tiveram quando eram crianças.
O que acontece é que muitas das crianças recebem nesta altura prendas a mais e nem sequer têm tempo para explorar cada presente que lhes é oferecido. Noutros tempos em que as prendas não apareciam assim com esta facilidade, as crianças construiam os seus próprios brinquedos e eram obrigados a ser criativos. Hoje, a maior parte dos brinquedos não estimula a criatividade, aparecem já feitos e elaborados, prontos para serem usados. Os jogos de construção e outros que obrigam a pensar, são sempre bem comprados.
Conheço pais, que não dão aos mais pequenos todas as prendas que recebem nesta altura e vão distribuindo estes presentes ao longo do ano. Outros pedem aos seus filhos uma lista de presentes que gostavam de receber e dessa lista escolhem um ou dois.
É importante que as crianças não fiquem com a ideia de facilidade, das prendas que aparecem às dezenas nestas alturas. Pedagogicamente, é importante que as crianças comecem a perceber desde cedo, que existem obstáculos a ultrapassar ao longo dos seus caminhos.

domingo, dezembro 25, 2005

O Natal dos Ranhosos


Os postais de boas festas desapareceram do mapa. Porque razão teriam os carteiros de suportar mais trabalho nesta altura? Ninguém lhes paga mais por isso, a esses homens apressados que andam de casa em casa. A mim ultimamente, só me têm deixado contas para pagar.
Agora tudo é mais fácil e económico com as mensagens por telemóvel. Vamos à página do operador e mandam-se 5 de cada vez. Se forem para a mesma rede o serviço é gratuito.
Este ano, mais do que em anos anteriores, recebi muitas mensagens.
Umas 10 foram de pessoas que nem se conhecem entre si e que diziam mais ou menos o seguinte:
"Este ano comecei a desejar Boas Festas mais cedo e por isso decidi começar primeiro pelos ranhosos e feios. Um bom natal"
Já é um acto digno, desejar um bom Natal a este tipo de pessoas. Podiam ter pensado só nos bonitos e sem ranho. Quanto a ser feio ou bonito, nao percebi se a referência era à beleza interior ou exterior. Quanto a ser ranhoso, fiquei incomodado e cada vez que recebia esta mensagem, levava a mão ao nariz e ia ao espelho, para ver se realmente o ranho me caia pelo nariz até à boca, sem eu sentir. Mas não, ranho não existia, felizmente nem estou constipado. Não entendi porque é que esta gente toda me chamava ranhoso no Natal. Percebi depois, que outros amigos meus, tinham recebido a mesma mensagem.
Será que os doces que se comem nesta altura, constituem um factor de inibição da criatividade nas mensagens que se enviam? Será muito difícil enviar uma mensagem diferente da que recebemos?
Por mim, desejo uma boa Páscoa a todos, com muitos ovos de galinhas e de patos, sejam eles ranhosos ou não.

sábado, dezembro 24, 2005

Não é Feliz Natal


Hoje é o dia da reunião das famílias. Pelo menos por um dia, as distâncias encurtam-se e muitos percorrem vários quilómetros para poderem estar junto dos seus.
As baixas temperaturas levam a que as famílias comemorem esta data no no aconchego dos seus lares, com aquecimento, ou com as lareiras acesas. Muitos, não têm estas condições e mesmo neste dia passam frio.
Podemos nesta noite trocar ideias, opiniões e até discutir as eleições presidenciais que se aproximam. Muitos não o podem fazer, porque vivem em regimes de ditadura, sem liberdade de expressão.
Neste dia gostamos de ter a nossa mesa repleta de comida, o peru, o bacalhau, deliciosos doces, o tradicional bolo rei. Quantas pessoas vivem neste mundo com menos de um euro por dia, e que mesmo nesta noite passam fome ? São muitas.
Enquanto estas e outras situações se verificarem, não podemos dizer nunca que há um feliz natal.
É impoortante ter a consciência do mundo que nos rodeia, mesmo nestas alturas. É importante que as pessoas e os países se unam, esquecendo as guerras e os interesses económicos e que de uma vez por todas, comecem a construir um mundo mais justo e feliz. Só nesse dia, quando todas estas injustiças desaparecerem, podemos dizer que a 25 de Dezembro de cada ano, há um feliz natal.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Casa, não casa...


Depois da Holanda, da Bélgica e da Espanha, agora é o Reino Unido a legalizar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Portugal está muito à frente e não vai seguir por esse caminho.
A nossa constituição é bem clara e no seu artigo 13º proíbe quaisquer formas de descriminação nomeadamente em relação à orientação sexual dos indivíduos.
O que eu acho que vai acontecer, é que os deputados irão legislar no sentido de proibirem os casamentos entre heterossexuais. Matam-se dois coelhos com uma só cajadada. Os gays não se casam e vai haver igualdade entre todos. Os heterossexuais querem casar-se? mas porquê? já têm a união de facto. Alem disso os heterossexuais têm de perceber que são uma minoiria, que deve ser ouvida e respeitada, mas como minoria que são, devem também ter os seu próprio lugar.
Já estou a ver os protestos dos ourives, por o negócio entrar em decadência com tanta aliança por vender. As manifestações de rua dos donos de restaurantes, ao deixarem de ganhar os 75 euros por pessoa em cada casamento e as lojas de vestidos de noiva a falirem. O país novamente em crise, tal e qual como quando foi aprovada a lei dos 0,2 de álcool no sangue, em que os vinicultores se uniram e conseguiram modificar a lei, pois neste país, antes do cidadão pegar no carro, deve beber sempre o seu copito, faz parte da cultura. Mas no meio disto tudo, há sempre o lado positivo. Imaginem a alegria com que ficam as solteironas de peito avantajado e de barriga dilatada com o carrapito na cabeça e o seu baton vermelho, ao comentarem com as amigas: - Estás a ver? eu nao me caso, mas tu também não te vais casar.
Com o governo que temos, com a coragem que tem nas medidas que toma, vamos viver num Portugal mais justo e sem preconceitos.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Revista Fronhas, no jantar da Lapa





















A fronhas esteve presente em mais um jantar na quinta da Lapa
A noite esteve muito animada e a criadagem passou mais de 20 vezes para a casa de banho com baldes de detergente.
O mês já vai a meio, mas o verdadeiro jet Zero está imparável, se não vejamos:
O casal Risado, foi o primeiro a chegar. A fomeca era tanta que num instante acabaram com as manteigas e com os queijos. Sorriam, porque já tinham a barriga cheia.
Baroty, muito mais magro, pois está a fazer uma dieta à base de moscatel e sandes de couratos, e sua esposa Rosemery a recuperar de uma crise de alcoolismo, aparece com o seu cabelo volumoso graças ao detergente fery concentrado. A família Soninhos tabmém não faltou ao evento. Sempre elegantes, a Rita de Pipi das meias altas, seu pai, o empresário do sono ao lado de sua mulher Nazatriz, ainda com as plumas do teatro de revista para idosos. A família Robofs, foi a última a chegar, ela de casaco de camurça preto, ele de cabedal sexual e o irmão de polo desportivo e telemovel Nokia sxlkmh99. Por sua vez , o empresário e dono da casal (Garcia) também compareceu bastante faminto. Rosemery já proibida pelos médicos de beber copos, bebeu pela garrafa. Tudo acabou bem, na esquadra da Baixa da Banheira, por terem desaparecido umas garrafas de JB que estavam no balcão.


As pontes unem as margens.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Mistura de culturas


A minha amiga Isabel, professora, formou um grupo de musica e dança que se chamava "Mistura de Culturas". Alunos de várias etnias encontravam-se e ensaiavam danças, musicas para além de aproveitarem esse tempo para conversarem e conviverem.
Isto é educação.
A educação também passa por colocarmos em prática os nossos ideais.
A ausência de educação, de cultura e de informação, leva a que de vez em quando, nos deparemos com pessoas portadoras de comportamentos xenófebos. (P.P.C.X.)
Ontem, num café, ouvi uma P.P.C.X ( eu sei que a sigla é foleira, mas é propositado) que dizia estar farta de brasileiros, interrogando-se porque é que eles não iam todos para a sua terra. Esta PPCX esquece-se que somos 10 milhões de portugueses a viver em portugal mais 5 milhões espalhados pelo resto do mundo. Quando aqui não havia trabalho, e quando os salários eram insuficientes para se viver ( não quer dizer que agora não o sejam), muitos portugueses emigraram.Ela não sabe ou não quer saber, que o desenvolvimento do nosso país se faz com a ajuda não só de brasileiros, como de tantos homens e mulheres vindos dos mais diversos cantos do mundo. Muitos estão cá legalmente, outros ainda não têm o visto. Destes quantos não são explorados por patrões sem escrupolos que se valem da sua situação?
E o que dizer da dificuldade que os meus amigos caboverdianos tiveram em arranjar casa em Lisboa? Ao telefone tudo bem, mas quando apareciam, a casa já estava alugada a outros. Isto tem de ser dito, porque o país dos brandos costumes, pelo menos na capital está a ficar com muitas com muitas PPCX.
O facto de já termos um governo de direita e de provavelmente os portugueses escolherem um presidente também de direita, incomoda-me . Há dias, um candidato a presidente, referia que dos 8.500 vistos previstos para 2004, apenas foram concedidos 164. Estamos com medo do quê? Continuamos com a nossa mentalidade mesquinha e fechada ao mundo? Se os imigrantes que estão ilegais se legalizassem, faziam descontos para a segurança social, para o IRS, tinham direito ao sistema de saude. Era melhor para todos. Se as pessoas estão cá e trabalham é porque fazem falta. Claro que tem de haver limites, mas quando as pessoas não encontrarem trabalho, de certeza que não vão ficar.
Eu gosto de aprender com os outros. Adoro o Xau-mi feito pela mãe da Jécy, um prato timorense muito bom, a feijoada à brasileira, a carne à permediana, ou os lanches com que a D. Elza me mimoseia, para não falar do melhor suco que eu alguma vez bebi, o de graviola. E a Caxupa feita pelo Daniel ou pela mâe do Rui? e as migas alentejanas com entrecosto feitas pela mãe da Rosa? Estou muito grato por ter amigos de várias etnias.
As pessoas são cidadãos do mundo. Todos têm o direito de serem respeitados.
Aí vai uma canção do Ney que eu adoro.
OMundo
O mundo é pequeno pra caramba
Tem alemão, italiano, italiana
O mundo filé milanesa
Tem coreano, japonês, japonesa
O mundo é uma salada russa
Tem nego da Pérsia, tem nego da Prússia
O mundo é uma esfilha de carne
Tem nego do Zambia, tem nego do Zaire
O mundo é azul lá de cima
O mundo é vermelho na China
O mundo tá muito gripado
O açucar é doce, o sal é salgado
O mundo caquinho de vidro
Tá cego do olho, tá surdo do ouvido
O mundo tá muito doente
O homem que mata, o homem que mente.
Porque você me trata mal, se eu te trato bem?
Porque você me faz o mal, se eu só te faço o bem?
Todos somos filhos de Deus
Só não falamos a mesma lingua.

domingo, dezembro 18, 2005

Suicicidem-se longe de mim

Gosto de comer naquelas tascas típicas, onde se come bem e não se paga muito. Toda a gente se sente bem, num ambiente descontraido. Foi o que aconteceu ontem no jantar de aniversário de um amigo. Pessoas ligadas ao teatro, divertidas onde se pode falar e brincar sobre tudo o que nos vem à cabeça.
No final, pedem-se os cafés e como é normal, as pessoas que fumam, acendem o seu cigarro. Mais de metade do grupo fumava. Pedi para a pessoa que estava ao meu lado, se não se importava de desviar um pouco o seu cigarro, pois o fumo envolia todo o meu rosto, como uma nuvem que me perseguia insistentemente, ao que ela me respondeu que sim, pedidndo até desculpa. Mas o fumo dos cigarros das outras pessoas, teimava em vir para mim. Fui durante algum tempo um fumador passivo, e passivo eu não gosto de ser em nada. Entendo perfeitamente que as pessoas gostem de fumar, muito embora não entenda o que leva um jovem a começar a fumar aos 22 anos. Sei que a nicotina cria dependência nos fumadores e que estes não se conseguem livrar desta droga, embora muitos o tentem. Penso que o prazer que um fumador tem em fumar é propurcional à insatisfação do não fumador quando inala o fumo do primeiro.
Não vou aqui falar dos malefícios do tabaco e as suas consequências que são de todos já bastante conhecidas, nem sequer me vou pronunciar sobre a frase um amigo meu que questiona : " porque é que as pessoas fumam tabaco para ficarem normais? então que fumem um charro de vez em quando, pelo menos bate-lhes alguma coisa e não lhes faz tão mal."
Em primeiro lugar, penso que o problema desta droga, o tabaco, como o de tantas outras, é de carácter educacional. A prevenção é a principal e a mais importante medida que deveria ser tomada. Mas o legislador nãoi deve ficar indiferente a este assunto, pelo menos deve preservar os direitos de que não fumam. Se temos um governo tão decidido em tomar medidas tão impopulares como o aumento da idade da reforma, que seja corajoso e proiba o fumo em locais fechados, como cafés e restaurantes, à semelhança do que já legislaram outros países europeus.
Para termos um país moderno e civilizado, é importante termos coragem de assumir certas medidas.

sábado, dezembro 17, 2005

Canção





Silfos ou gnomos tocam?

Roçam nos pinheirais

Sombras e bafos leves

De ritmos musicais.

Ondulam como em voltas

De estradas não sei onde,

Ou como alguem que entre árvores

Ora se mostra, ora se econde.

Forma distante e incerta

Do que eu nunca terei,

Mal ouiço, e quase choro

E porque é que eu choro não sei.

Tão suave melodia

Que mal sei se ela existe

Ou se é só o crepúsculo,

Dos pinhais e eu estar triste.

Mas cessa como uma brisa

Esquece a forma aos seus ais.

Não, não há mais música

Do que a dos pinheirais

Fernando Pessoa

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Fatinha


A Fatinha completou ontem mais um aniversário.
Observem a imagem e vejam como é bonita a minha amiga. A foto revela a imagem de uma pessoa agradavél, simpática e podiamos ficar por aqui. O que a foto e a internet ainda não conseguem mostrar, é a sua beleza interior. Ela é dona de um grande e bondoso coração, sempre disposta a ajudar tudo e todos, esquencendo-se por vezes de si própria. É capaz de ouvir horas a fio os problemas de um amigo. Quantas vezes eu atendi o telefone da sua casa com a frase : - Estou sim, consultório da Drº Fátima Rosado, fala o secretário, em que lhe posso ser útil?
Ontem a noite estava fria, gelada. Não havia festa de aniversário, mas mesmo assim apareci para a ver. Apesar de não haver festa, a D. Adélia não deixou o crédito por mãos alheias e fez um dos seus maravilhosos bolos.
A Fatinha é daquelas amigas que podemos sempre contar. As suas gargalhadas são contagiantes e é dona de um sentido de humor único, proporcional à sua sua inteligencia.
Não esqueço as férias e outros momentos que passámos em grupo e que para mim foram bastante divertidos.
A sua calorosa amisade, aqueceu aquela noite, em que mais uma vez, podémos trocar palavras e confrontar ideias.
Um beijo Fátinha. Sabes que estou contigo.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

A Magia do Circo


Fui ao circo.
Sempre que posso vou ao circo.
Gosto de tudo o que é espectáculo, mas tal como o apresentador dizia, na magia do circo tudo pode acontecer.
No Coliseu, a quantidade e variedade de animais foi surpreendente. Nesta companhia tal como na do circo Atlas, a que também tive a oportunidade de assistir a convite do Jaime, foi lindo veríficar a forma como os animais foram tratados. Neste último, o domador dos leões numa atitude pedagógica, deu uma breve explicação sobre a forma como os leões eram domados.
Os números até podem ser já conhecidos, as meias das assistentes podem até estar remendadas, o mágico pode até entrar mais tarde, com outro nome a trabalhar com os cavalos, os materiais desgastados com a tinta a desfazer-se podem estar até visiveis aos olhos do público, mas o mais importante é que todas aquelas pessoas têm um carisma especial, trabalham com muito amor à sua arte e o circo, envolvido pela sua tenda ambulante, nunca deixa de ser mágico.
Nas duas companhias , a participação do público no espectáculo, acaba por se reflectir num maior envolvimento e atenção por parte dos espectadores.
O adulto mais engravatado, lá vai dizendo que o circo é para as crianças, mas se o é para crianças, é importante não abandornarmos a criança que existe em cada um de nós e continuarmos a ir ao circo.
As duas horas de espéctáculo, voam, como os trapezistas e quando por erro, são colhidos pela rede, o público aplaude, dando-lhes força para repetirem.
É nos olhos dos palhaços, que podemos encontrar a sensibilidade, a ternura e a rebeldia, que existe numa criança.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Infeliz Natal

As iluminações comemorativas da época natalícia, começaram este ano em finais de Outubro, dois meses antes da referida data. Mas que importa isso, se Natal é quando um homem quer?
Nesta altura, a adrenalina na compra dos presentes é elevada em cada um de nós. Os centros comerciais estão repletos de homens, mulheres e crianças, acotovelando-se num consumismo invulgar.
No D.N. jornal que leio diariamente, deparo com a seguinte públicidade: "Ofereça emoções Fnac." Então a pessoa entra na Fnac (espaço que por acaso bem aprecio, apesar do preço dos CDs e DVDs ter vindo a aumentar últimamente) e compra as emoções que lhe apetecer, à unidade, ao peso, à dezena se for mais barato e depois oferece as emoções, compradas naquele instante. Fica emocionado e emociona.
E as emoções continuam, porque pode comprar um gravador de Dvd, um Mp3 ou até uma tv de plasma de último modelo que chega a casa, liga e emociona-se duplamente, quando vê no telejornal, que os sem abrigo, aumentam a cada dia que passa, que o fosso entre pobres e ricos é cada vez maior, que na noite de Natal, em frente à árvore de Natal maior da Europa, dormem em caixas de cartão, os maiores mendigos da mesmo continente. A festa da família, transforma-se assim na emoção das prendas. Podemos não oferecer nada durante o ano inteiro, mas no Natal fica bem trocarmos presentes.
Já falei com os meus amigos e neste Natal, não vou dar prendas a ninguém. Pela primeira vez, não vou na onda para onde me querem levar. Vou ter o meu próprio ritmo e vou oferecer o que me apetecer na altura que eu entender.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Socorro, fujam, vem aí o Cavaco

Já várias vezes me deparei com a mesma pergunta, para a qual não consigo arranjar uma resposta plausível. Porque é que tanta gente diz que vai votar no professor Cavaco Silva?
Será porque estamos todos a viver uma crise de segurança em nós próprios e necessitamos de alguém que nunca se engane e raramente tenha dúvidas? Ou será porque estamos todos muito cultos e seguimos o modelo do Professor, que quando era primeiro ministro dizia que não lia jornais porque não tinha tempo? E mesmo não lendo jornais, referia que de tudo o que os jornalistas escreviam sobre a sua pessoa, 90% era mentira.
Será que já nos esquecemos todos, numa amnésia colectiva, da década cinzenta do primeiro ministro cinzento e arrogante que só fazia as auto estradas cinzentas?
Queremos viver a cores, em liberdade, com tolerancia.
"Cuidado com os imigrantes, que são o mal da nação, de um dia para o outro, entram 10 milhões de brazucas, mais uns cruatas, outros tantos africanos e depois ficamos em minoria... "
Não quero o Cavaco como presidente!
Votem no Manuel Alegre, o poeta da liberdade, mesmo querendo inceneradoras em todo o lado menos em Coimbra!
Votem no Gerónimo, que apesar de dizer sempre o mesmo, lá vai ganhando alguns votos quando fica rouco e não fala!
Votem no Louçã, mesmo que vos pareça o pastor que vos acorda às 10 da manhã de um domingo para vos salvar!
Votem no Soares, coitado, que foi agredido num braço, temos de ter pena. Pelo menos na Marinha Grande deu frutos.
Cavaco, Não.

domingo, dezembro 11, 2005

Erva daninha a alastrar

António Rodrigues Ribeiro, mais conhecido por António Variações, foi autor compositor e interprete de algumas das canções mais ouvidas da música portuguesa na dácada de 80.
Muitos foram os artistas, que após a sua morte gravaram os seus temas. Passados 20 anos da sua morte, surge agora um grupos de artistas, os "Humanos" que gravam inéditos, canções que o compositor tinha em cassetes audio e que nunca tinham sido gravadas em disco.
Curioso será dizer que este disco colocado à venda em 6 de Dezembro de 2004, permaneça no top de discos mais vendidos, contabilizando mais de 100 mil unidades vendidas.
Uma das suas canções diz o seguinte:

"Sou, eu sei que sou erva
Erva Daninha a alastrar,
Joio, trovisco, ameaça
Das ervas doces de enjoar"

Este é o mote para um blog, onde se pode dizer tudo o que se pensa, sem filtros, sem preconceitos, mesmo que para isso, se tenham ferir ferir as aromáticas ervas doces de enjoar.