Roberto Carneiro, quando foi ministro da Educação, antes de propor a sua reforma legislativa à Assembleia da Republica, enviou-a às escolas, para que os professores a pudessem debater e discutir, aceitando ainda sugestões à referida proposta.
Maria de Lurdes Rodrigues acha que sabe tudo. Possuidora de uma lucidez pedagógica acrescida, esta senhora recusa-se a dialogar e acha que não tem de mobilizar os docentes
Para as reformas em curso. Começa por duvidar que os sindicatos representem os professores. Os 100.000 que protestaram numa marcha organizada pelas estruturas sindicais deram-lhe a resposta. Como socióloga que é, devia tirar ilações desta movimentação.
Pelo que vejo na comunicação social, raros são os professores que conseguem dizer concretamente pelo que lutam e a mensagem dificilmente passa.
É preciso fazer saber, que pessoalmente não concordo com um sistema de avaliação em que sou avaliado pelas notas que dou aos alunos, e pelos alunos que eventualmente desistam da escola. Se tornasse a escola mais atractiva, talvez o abandono diminuísse. Não aceito que a avaliação seja feita pelos pares. Eu sei que quer ver guerras na escola e vinganças mesquinhas. Não aceito as avaliações por cotas, em que as injustiças prevalecem. Não estou de acordo com a forma como se fazem as substituições pois na maior parte das vezes os professores que substituem os colegas, apenas fazem de animadores.
Sei que os pais lhe agradecem a escola a tempo inteiro, pois não têm de pagar A.T.L. nem se chateiam com os trabalhos de casa, descartando-se dessa forma do seu papel pedagógico, de referência e de modelo, deixando de acompanhar os filhos no processo educativo. Noutros países da Europa, os horários do primeiro ciclo são das 8 ás 14, ou ás 15 e não é pelo facto dos alunos passarem um dia inteiro na escola que aprendem mais.
Sou pela escola inclusiva e por isso não posso concordar com o decreto lei 3/08, em que exclui da educação especial centenas de alunos com dislexia, hiperactividade, sobredotados e alunos com dificuldades de aprendizagem permanente entre outros.
Sou contra a falta de autoridade que fez passar para a opinião pública relativizando o papel do docente. Os resultados são visíveis e as estatísticas não mentem. Quase todos os dias são agredidos professores na escola. Discordo com o papel do professor que na sua componente não lectiva tem de estar a tomar conta de alunos no recreio ou no refeitório, quando deveria estar a preparar aulas e a desenvolver o verdadeiro trabalho não lectivo.
Mas o ódio que este ministério tem aos professores não se fica por aqui. O que teria passado pela cabeça da ministra quando decidiu proibir os professores de virem a ser
gestores das escolas? Claro que recuou nesta decisão, pois devia ter pensado que o exagero era demasiado evidente.
Os colunistas da praça decidiram entrar no jogo da ministra. Emídio Rangel apelida-nos de “hooligans” , Este senhor sabe perfeitamente que os professores não utilizam berbequins para abrir portas de rádios, nem espancam directores de jornais como forma de resolver os seus problemas. Num país livre, o direito à manifestação e à indignação ainda é consagrado pela lei.
Escrever leis num papel é fácil. Difícil é estar no terreno e verificar a sua aplicabilidade.
QUREMOS REFORMAS, QUEREMOS MUDANÇA, mas uma mudança que favoreça realmente os alunos no processo ensino aprendizagem e que valorize o papel do professor como membro fundamental na dinâmica educativa.
E não se faça passar para a opinião pública que os professores não querem trabalhar, que não querem ser avaliados e que estão contra as aulas de substituição. Queremos isso tudo, mas em conteúdos diferentes, a favor de uma escola pública de qualidade.