erva daninha a alastrar

quinta-feira, setembro 27, 2007

Santana Desiste


Santana Lopes foi convidado pela SIC Notícias para uma entrevista sobre o momento atribulado que o seu partido está a viver. Passados dez minutos a jornalista pede licença e interrompe a conversa para um directo da chegada de Mourinho ao Aeroporto de Lisboa. Muita gente espera o famoso treinador, repórteres, jornalistas e muitos dos seus admiradores aglomeram-se em redor de Mourinho, enquanto este é entrevistado. Após o directo, a Jornalista tenta retomar a entrevista, mas Santana interroga-a perguntando se acha correcto o que acaba de acontecer. Diz que o país está muito mal por estas coisas acontecerem, e que não responde a mais perguntas, apressando-se a sair do estúdio.
Santana Lopes não suporta o êxito dos outros, sente ciúmes por já não ter tanta gente à sua volta. Um homem que sempre fez tudo para aparecer na TV, desde andar com fitas à volta da cabeça em festas de tias e a participar em concursos televisivos como na “Cadeira do Poder” onde fingia ser primeiro-ministro. Participou durante muito tempo em debates sobre futebol e foi ele próprio presidente do Sporting e também da Câmara de Lisboa. Em todos estes cargos, Santana sentiu sempre muitas dificuldades em os levar até ao fim. Hoje, mais uma vez, desistiu a meio de uma entrevista. Fez-me lembrar aquelas crianças, filhas de “papai” que no meio de um jogo de futebol, fazem uma birra, apanham a bola e dizem: “- Acabou o jogo, a bola é minha e ninguém mais joga”
A emissão da Sic Notícias continuou com toda a normalidade.

terça-feira, setembro 25, 2007

Aorexia

Em Itália, uma actriz está a dar a sua imagem para promover uma campanha de sensibilização sobre a Anorexia. Fotografada por Oliviero Toscani, fotógrafo que já tinha levado a cabo outras campanhas como a da prevenção da sida, fotografa agora esta actriz completamente nua, espalhada em cartazes nas ruas mais movimentadas de Itália. Chocar as pessoas desta forma pode ter efeitos de prevenção. A actriz protagonista da campanha, refere que se visse estas fotos na altura em que o seu problema teve início, talvez tivesse recorrido ao seu médico

sábado, setembro 22, 2007

João Mota

João Mota, é um dos melhores encenadores de teatro em Portugal. Faz agora 50 anos de carreira. Assisti a várias das suas encenações no teatro da Comuna e a sua criatividade esteve sempre presente nestas peças. Lembro-me do Calígula, Os dois corcundas e a Lua, a Feira Vicentina, D. João e Julieta e outras tantas peças em que o público nunca sabia por onde entrava, chegámos a entrar pelo palco, outras vezes ficávamos de pé seguindo a representação dos actores. A peça “A Cabra” em que o apelo às emoções se evidencia, ao mesmo tempo que o público é levado a questionar-se sobre os conceitos adquiridos que normalmente não são postos em causa. São muitas as peças que passou para o palco dando vida às personagens por ele dirigidas. Para além do Excelente encenador, é também um pedagogo. Tive a sorte de ser seu aluno num curso de monitores de expressão dramática na Gulbenkian cuja duração era de um ano. Claro que nós quisemos prolongar o curso por mais tempo e durante alguns anos fomo-nos encontrando uma vez por semana. Muitas das vezes fazia-se silêncio para ouvir o João falar. È uma pessoa com quem se aprende muito e foi por isso que eu fiquei na terça-feira a ouvir uma entrevista sua da meia-noite ás duas e que comprei o Publico no Domingo, onde deu uma excelente entrevista. João, queremos que trabalhes pelo menos mais 50 anos no teatro

terça-feira, setembro 18, 2007

Por um Punhado de Euros


Dalai Lama já foi embora. Um homem portador de uma energia incomparável, determinado e com objectivos muito claros. A defesa dos Direitos Humanos fá-lo percorrer o mundo, tendo já sido recebido pelo presidente dos E.U, da União Europeia entre outros. Copiamos o que os outros fazem de errado, como a guerra no Iraque, mas recusamos imitar o que está correcto.
Os “Valores” são hierarquizados e cada um coloca no topo da pirâmide o que é para si mais importante. O Nosso governo acha óbvio virar as costas ao prémio Nobel da Paz e com essa atitude desprezar tudo o que este Homem representa. O nosso presidente, eleito pelo povo que gritou nas ruas de mãos dadas por Timor, que atitude toma perante Dalai Lama? Muito simples, ignora-o e não lhe dá cavaco. É muito melhor ficarmos ao lado dos fortes e poderosos ditadores chineses, a troco de um punhado de Euros, do que nos aliarmos a uma causa nobre na defesa dos Direitos Humanos.

sábado, setembro 15, 2007

Desculpa


“Desculpa”. É uma palavra que poucos utilizam, mesmo quando sabem que erraram. Não me lembro de nos últimos tempos, um político ou mesmo uma figura pública, ter admitido um erro e fazer um pedido de desculpas pelo sucedido. A falta de humildade, a arrogância, ou o complexo de superioridade, poderão ser factores de influência para a não pronúncia de tal palavra.
Toda a gente sabe que Scolari não devia ter feito o gesto que os canais de tv não se cansam de reproduzir, mesmo estando sobre pressão, mesmo tendo sido agredido física e verbalmente e apesar de ter empatado o jogo devido a um erro de arbitragem. Adoramos assistir aos erros dos outros, adoramos criticar, ver os outros em baixo. A comunicação social fez deste lapso uma bandeira, esquecendo-se das alegrias que este homem deu a um país triste e cinzento, conseguindo erguer a auto-estima colectiva. Num momento menos bom, em vez de entendermos e desculparmos um homem que teve a delicadeza de pedir desculpas a um país, apenas o tentamos afundar, dizer mal, porque ao dizermos mal dos outros, sentimo-nos bastante melhor. Pode ser que nos enganemos e que as bandeiras portuguesas voltem a subir às janelas na fase final do Europeu onde de certeza vamos participar.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Cada macaco no seu galho


Maria José Nogueira Pinto, à boa maneira das tias, não gosta que as lojas dos chineses se situem na Baixa Pombalina. Vai mais longe e propõe mesmo um espaço nos subúrbios da cidade para que os chineses exercerem a sua actividade económica.
Depreende-se que a mesma linha de pensamento se aplique também aos restaurantes chineses. Os bares brasileiros também devem seguir a mesmo caminho e vão parar a outro subúrbio da cidade. Indianos também separados, no seu canto, cabo-verdianos porque são um pouco escuros também devem ser arrastados para outro canto qualquer. Nada de misturas, cada macaco no seu galho. Seguem-se os romenos, os angolanos, os ciganos, os homossexuais, os gordos, os magros, os altos, os de nariz grande…
A baixa pombalina fica liberta para as tias passearem e tomarem chá na Suiça, que não pode ter suíços, ou na Brasileira, sem brasileiros, ou na Mexicana, sem mexicanos…
Só vejo um inconveniente neste processo de seriação. Quando as tias “pobrérrimas” quiserem ir á loja do chinês, vão ter de vestir um disfarce e terão de usar a base mais escura, quando lhes apetecer comer uma cachupa.