erva daninha a alastrar

domingo, julho 29, 2007

Noite









O número de pessoas a quem posso ligar às 4 da manhã reduziu consideravelmente. Uns emigraram (como é que se pode viver num país como este, sem oportunidades de trabalho, de formação, com a pobreza e o desemprego a crescerem a par da arrogância e dos sinais ditatoriais dos órgãos de chefia e do governo. O Saramago tem razão sim, Ibéria irá ser o nosso país e Portugal a nossa região. Pelo menos ficamos a viver melhor, mais felizes a comer caramelos de Badajoz e com mais dinheiro para gastar), outros morreram e outros simplesmente desapareceram do mapa. E ligávamos a altas horas uns para os outros, apenas porque nos apetecia, porque as horas para nós não são impedimento de coisa alguma. Riamos ao telemóvel, falávamos sobre coisas triviais, ou discutíamos, reflectíamos sobre o que nos apetecia. Lembro-me que numa dessas conversas púnhamos em causa o tempo que passávamos a dormir, será que não é tempo perdido? Ainda existe um pequeno grupo que mantêm esta tradição de liberdade de expressão sem horários para fazer o que quer que seja. Isto liberta-nos e simplesmente nos deixa ser como realmente somos.

domingo, julho 22, 2007

De volta ao continente, feira nova, jumbo....

Quase de volta, olho para trás e revejo as experiências que vivi, as pessoas que conheci, as noites de encanto tropical que dificilmente vou esquecer, o tanto que aprendi. Por tudo isto custa-me um pouco deixar esta região por tanto tempo. É um misto de satisfação e frustração, de querer não querendo. Descobri que aqui é o sítio ideal para viver. Os dias são mais longos, as pessoas mais calmas, o clima mais ameno e a segurança é maior. Aqui tudo se comemora e todos vivemos em festas permanentes. A gastronomia é deliciosa. Conhecer a Ilha não é andar na via rápida e olhar para o mar. É entrar nas cidades, falar com as pessoas, fazer as levadas contactando com a mais pura natureza. E tanto que ainda tenho para conhecer, porque quero ir com muita calma, caminhando devagar para melhor sentir tudo o que me rodeia. Em Setembro volto e vou continuar a minha caminhada, fazer tanto do que ainda me falta fazer.

sábado, julho 21, 2007

Voar


O Call Center estava repleto de gente, tudo ao telefone, o burburinho do costume. De repente o Carlos pergunta em voz alta, com as palavras a sairem-lhe de forma emotiva: - Os meus óculos? Onde é que estão os meus óculos?
Toda a gente olha para os lados, procura-se nas mesas e nada. Não aparecem os óculos de sol de 150 Euros. De repente a Elsa olha para o Carlos e na sua simplicidade questiona: - Tanta confusão por causa de um bem material? Isso é apenas um bem material. – Claro que o Carlos, ainda ficou mais furioso com a observação…
Habituámo-nos a viver com os bens materiais. Todos gostamos de conforto e trabalhamos muito para isso. E só damos conta que estamos agarrados a estes bens materiais, quando não os temos.
Hoje o meu carro não quis andar. Bem que dei à chave, mas ele nem um pequeno barulho fez. Ficou ali, caladinho, quieto. O que fazer? Nesta ilha sem carro, é obra.
Andar a pé… de transportes públicos… já é muito difícil. Mas antes, eu fazia isso com toda a naturalidade.
Claro que tudo tem solução em relação aos bens materiais, basta haver dinheiro.
Na sua “Balada do Louco” há uma parte em que o Ney canta: “Se eles têm três carros, eu posso voar”.

terça-feira, julho 10, 2007


sábado, julho 07, 2007

A crescer à conta dos "otários"
A PGA era a companhia que cobrava preços mais reduzidos no transporte aéreo de passageiros entre a ilha da Madeira e o Continente. A TAP comprou a PGA e os preços dos bilhetes, anteriormente praticados pela Portugália, deixaram de existir. Quem quer viajar para Lisboa, agora só pode adquirir bilhetes da TAP, consideravelmente mais caros. Como é possível uma companhia aérea de capitais públicos levar preços exorbitantes, rondando os duzentos euros para cidadãos que vivem na Ilha da Madeira, que não têm alternativa de transporte quando se querem deslocar à capital do seu país? Sem concorrência na rota Lisboa – Funchal, a TAP cobra agora os preços que entende, obtendo lucros elevados sem atender ao serviço publico a que deveria estar obrigada. Depois não se entende como publicita viagens de Lisboa a Barcelona por sessenta e oito euros ida e volta. É necessariamente urgente o aparecimento de uma companhia aérea que faça concorrência á TAP nos voos Funchal - Lisboa, para que a TAP modere os preços que actualmente pratica.