erva daninha a alastrar

segunda-feira, maio 29, 2006

Coisa Feia


Há muitas maneiras de matar um coelho.
Portugal tem uma elevada taxa de insucesso escolar. O governo sabe disso e o ministério da educação mostra-se preocupado. Até aqui tudo bem, esse interesse e essa preocupação são positivos.
O que fazer então para melhorar o rendimento dos alunos nas escolas? Esta é a grande interrogação à qual o Ministério da Educação (M.E.) ainda não conseguiu dar uma resposta capaz para resolver o problema.
Existem condições básicas necessárias, tais como a alimentação, a habitação, o interesse familiar, as instalações da escola, o meio envolvente, entre outras, para que um aluno possa a partir daí, adquirir competências a nível de conteúdos e de comportamento, fundamentais ao seu aproveitamento.
Nenhum professor gosta de ter alunos com insucesso, e a grande maioria destes profissionais esforça-se no sentido de arranjar estratégias para os alunos com mais dificuldades.
A verdade é que no final de cada ano lectivo existem sempre alunos que não alcançam os objectivos mínimos e por isso não transitam de ano. Um professor competente tem o dever não só de dar as suas aulas, como também de avaliar. E aqui chegamos ao ponto crucial da questão, ou seja, o da verdadeira razão pela qual os pais passam a interferir na avaliação dos professores. Um professor para progredir na carreira necessita de uma boa avaliação. Ao reprovar os alunos, de certo que os pais não vão ficar contentes e lá vai avaliação negativa para os professores. Mas se o M.E. pensa que os professores vão deixar de ser profissionais competentes e que vão passar todos os alunos devido ao facto de estarem a ser avaliados pelos pais, diminuindo desta forma a taxa de insucesso escolar, engana-se.
Os professores, apesar de estarem a ser desprestigiados por um governo que em nada tem dignificado a educação, vão continuar a ser verdadeiros profissionais, como até aqui o têm sido.

quinta-feira, maio 25, 2006

FIM


Já bem perto do fim, há sempre algo que resiste

terça-feira, maio 23, 2006

As escolhas da SIC


No passado domingo à noite a SIC transmitiu os Globos de Ouro, onde os artistas que mais se distinguiram no ano de 2005 foram premiados com a referida estatueta. Durante a primeira hora, assistimos à passagem pelo grande tapete vermelho das estrelas da noite e também de convidados. Durante esse período pudemos assistir a um grande desfile de moda, onde três entrevistadores, um em cada ponto do tapete vermelho, conversavam com quem pisava o tapete da fama. Ficámos a saber quais os estilistas que vestiram as estrelas, o porquê da ausência de acompanhantes de alguns convidados e mais importante ainda, a Biba Pitá, que apesar de ter nome de galinha, resolveu dar a notícia ao país e em directo, da sua gravidez. Mostrou bem a barriga vincando o vestido preto que contrastava com o seu louro oxigenado.
Mas o mais lamentável da noite estava para vir. José Castelo Branco apareceu com a sua mulher (?) ao mesmo tempo que Carlos do Carmo. A repórter nem hesitou em escolher quem ia entrevistar. Escolheu o ser andrógino, que se abanou, enfrentou a câmara de de caras e disse meia dúzia de “bacoradas”. Entre um homem que nada tem na cabeça, para além de perfumes, roupas, anéis, criados e uma mulher rica, e outro que tem uma carreira dedicada ao fado, um homem culto que dá gosto ouvir falar, a repórter escolheu o primeiro. Este é o reflexo do que se passa no nosso país. Sei que esta é apenas uma cena passageira desta cerimónia, mas neste momento ficou claro na minha cabeça o porquê do estado a que chegou a nossa televisão. Castelo Branco dá mais audiência que Carlos do Carmo, mas é tão triste que um país com a história e a cultura de Portugal, opte pelo ridículo, pelo vazio em detrimento do culto, do pensador.

sábado, maio 20, 2006

O signo de Carrilho


Os jornalistas, os críticos e os comentadores têm uma grande dificuldade em aceitar uma crítica em relação ao seu próprio trabalho. Reagem sempre de uma forma indevida, como se fossem reis e senhores, podendo dizer mal de tudo e de todos de cima do seu pedestal como se fossem figuras intocáveis.
Tendem estes sábios da nossa sociedade em eleger com regularidade uma figura no mundo da política, como sendo um alvo a abater.
Carrilho trocou-lhes as voltas. Escreveu um livro, resolveu não se calar e dizer o que lhe ia na alma. Escreveu o que considerou injusto durante a campanha eleitoral. É a sua visão sobre os acontecimentos e corajosamente chama as pessoas pelos nomes. Não quero com isto dizer que o autor tem razão ou não no que escreve, mas penso que fez bem em dizer de sua justiça.

quinta-feira, maio 18, 2006

Touradas


Aí está Lisboa no seu melhor.
Uma praça de touros reconstruída, onde se gastaram milhões, a respectiva inauguração onde não faltaram os famosos da nossa praça. E vá de touros para a frente. É o que o nosso povo gosta.
Quando não abrimos o jornal para nos comovermos com as desgraças dos outros, vamos ver uma corrida de touros, que de corrida não tem nada. Assistimos numa atitude sádica ao sol ou à sombra, em camarotes ou barreiras, ao sangue do touro que escorre depois das farpas presas no seu corpo.
É A ARTE MINHA GENTE. A TRADIÇÃO É A CULTURA DE UM POVO. A CULTURA DA TORTURA. Depois do touro cansado, vêm as “pégas de caras” onde os forcados amadores perfilam com as roupas justas ao corpo, e quando o touro investe, aproveitam para fazerem o que não fazem no seu quotidiano e roçam os corpos suados uns nos outros, apalpam-se e abraçam-se em torno do animal com sangue á mistura. O povo grita “olés” num misto de raiva e vitória. Como epilogo, temos as vacas que aparecem e levam finalmente o touro para a morte, depois de muito tempo de sofrimento.
É de bem ir ver uma corrida de touros ao campo pequeno. No final, é só descer e o centro comercial aí está para o fim de um bom espectáculo. Mais umas “comprinhas” não fazem mal a ninguém e ajudam a levantar a auto estima em tempo de crise.

segunda-feira, maio 15, 2006

Discussão necessária?


“Numa discussão, o mais inteligente cala-se.” Esta foi a frase que a mãe do nosso treinador da selecção sub 21 de futebol, Agostinho de Oliveira, lhe ensinou e que o treinador ainda hoje segue à risca.
Depois de reflectir algum tempo sobre a frase, quero dizer que estamos num país livre em que a opinião de cada um deve ser respeitada e deve mesmo fazer-se ouvir. E não é da discussão que nasce a luz? Não há mal nenhum em se discutir seja o que for. Não aprecio as pessoas muito caladas, que não falam sobre nada, que omitem as suas opiniões para desse modo estarem bem com todos. Podemos ter uma relação de amizade com uma pessoa, apesar de discordarmos das suas ideias. Numa discussão aprende-se sempre, mesmo que seja simplesmente a conhecer melhor o sujeito com quem discutimos. Como é aborrecido ficarmos calados, quando temos tanto para dizer.

domingo, maio 14, 2006

Vila do Rei


O partido nacionalista de extrema direita manifestou-se em Vila do Rei esta tarde, eram apenas 60 mas a linha editorial das estações de televisão decidiu dar cobertura ao acontecimento. A presidente deste município está a lutar contra a desertificação deste local e resolveu estabelecer um protocolo com a cidade de Maringá repovoando a Vila dos Reis com famílias brasileiras. O salário mensal de 400 Euros é obviamente recusado pelos portugueses. Daí serem os brasileiros a concordarem com esta remuneração e a ocuparem estes postos de trabalho. Os manifestantes mentem quando dizem que não estão contra a vinda dos brasileiros, porque está mais do que provado que são xenófobos e radicalmente nacionalistas. Mas num aspecto eu não posso de deixar de estar de acordo quando dizem que estão contra a exploração que está a ser feita ao nosso povo irmão, por vir usufruir tão baixos salários. Eu sei que o argumento é demagógico, mas para o nível de vida no Brasil, em que o salário mínimo é de 150 Euros, 400 Euros ganhos no lá, até que nem era nada de deitar fora, mas aqui... Claro que nós portugueses, tendo cinco milhões de compatriotas espalhados pelo mundo, sabemos que a vida de emigrante não é fácil nos primeiros tempos. Mas se os salários se ficarem por aqui, o sonho lindo desta presidente depressa acaba, porque estes brasileiros, para além da tranquilidade, também vêm em busca de uma vida económica mais elevada, diferente da que tinham no Brasil.

quinta-feira, maio 11, 2006

BELÉM


O Clube de Futebol “Os Belenenses” é o clube que eu gosto. Desceu no passado Domingo à divisão de honra e eu ainda estou a digerir este momento de frustração. Apesar de estar no grupo dos candidatos à descida, era o clube que tinha menos probabilidades de descer, mas uma conjugação de resultados levou a que isso acontecesse. Não adianta mais falar dos árbitros que quando se enganaram foi na maior parte das vezes sempre de modo a prejudicar este clube. Por outra perspectiva mais optimista, pode-se dizer que estamos cansados de lutar para não descer e vamos agora lutar para ficar em primeiro lugar. Uma coisa é certa, os jogadores andam com dois meses de ordenado em atraso e ninguém gosta de trabalhar sem receber. Neste mundo do futebol que envolve milhões, a gestão é de maior importância. Estes momentos difíceis fazem-me gostar ainda mais do meu Belenenses. Para o ano, vamos ser campeões. Força Belém!

quarta-feira, maio 10, 2006

Margarida Ausente



Nunca li nada da escritora Margarida Rebelo Pinto e depois de ter assistido à sua entrevista com o Herman, reforço a minha atitude em relação aos livros dessa senhora e não vou sequer perder o meu tempo com a sua bibliografia. .
Já não me agradou muito, o facto de ter interposto uma providência cautelar ao livro que saiu a criticar a sua obra. É com a crítica que temos de aprender. Não nos podemos fechar numa redoma de vidro, ou colocar a cabeça debaixo da areia, não dando ouvido aos que de nós falam. È com os outros que aprendemos.
O Herman Sic do dia da mãe, foi dedicado às tias e às conversas de cabeleireiro, das plásticas da Lili e de muitos temas de quem não tem nada para dizer. Já por volta da uma da manhã o Herman fala com a escritora Margarida, e esta com o seu ego muito elevado, (ou será que tentava disfarçar a sua insegurança?) falava de “ Nós os artistas” “O meu livro é muito bom, é dos mais vendidos” e quando Herman, já cansado daquela conversa da “treta” lhe faz referência ao filho que ela tem e que por ser bonito vai arranjar uma princesa quando for grande, Margarida levanta o nariz e diz: “Uma princesa, não! Muitas princesas, porque o meu filho é muito bonito”. Peguei no comando e desliguei porque presunção e água benta, cada um toma a que quer. Olha Margarida, vamos lá a ver se o teu filho quando for grande tem muitas princesas, ou se te enganas e tem muitos príncipes.

domingo, maio 07, 2006

MÃE








A minha mãe,
É a mãe mais bonita,
Desculpem, mas é a maior,
Não admira, foi por mim escolhida,
E o meu gosto, é o melhor,
E esta é a canção mais feliz,
Feliz eu que a posso cantar,
É o meu maior grito de vida
Foi o seu grito, o meu despertar,
Canção de mãe é sorrir,
Canção berço de embalar,
Melodia de dormir,
Mãe ternura a aconchegar,
Canção de mãe é sorrir,
Gosto de ver e ouvir,
Voz imagem de sonhar,
Imagem viva lembrança,
Que faz de mim a criança,
Que gosta de recordar
A minha mãe,
É a mãe mais amiga,
Certeza, com que posso contar,
E nem por isso, sou a imagem que queria,
Mas nem sempre me soube aceitar,
Razão de mãe é dizer,
Mãe cuidado a aconselhar,
Os cuidados que hei-de ter,
As defesas a cuidar,
Saudade mãe é escrever,
Carta que vou receber,
Noticia de me alegrar,
Cartas visitas encontros,
Essa troca que nós somos,
Este prazer de trocar,
Canção de mãe é sorrir,
Gosto de ver e ouvir,
A ternura de cantar.

António Variações

sexta-feira, maio 05, 2006

3 Formas de Contenção


Há três meses as palavras do novo Papa nos jornais confirmavam o que já se esperava sobre o conservadorismo deste chefe da igreja católica. Dizia o Santo Padre, que o ser humano só ficava completo, quando vivia em comunhão com uma pessoa do sexo oposto. Estas palavras só podiam ter sido ditas por um ser humano incompleto. Isto digo eu, porque segundo a sua teoria, se ele não vive com uma mulher, ao que parece, então é incompleto.
Agora o Vaticano vem reafirmar que é totalmente contra o uso do preservativo. Refere ainda que tem uma equipa de investigadores que já descobriu que o preservativo não é eficaz na transmissão do vírus da SIDA. Claro, se quando se estiver a ter relações sexuais, colocarmos a camisinha no nariz em vez de a utilizarmos no sítio certo, é provável que não seja a melhor opção para prevenir a transmissão do vírus. Diz o Vaticano que a melhor forma de lidar com a situação é a castidade, é ter relações sempre com a mesma pessoa, é a CONTENÇÃO. CONTENHAM-SE ELES, por terem tanta gente ligada à igreja, que durante anos, molestaram sexualmente muitas crianças. CONTENHAM-SE ELES de fazerem sexo com as freiras, pois ao longo da história foram encontrados muitos esqueletos de recém-nascidos nas imediações de igrejas, mosteiros e conventos. CONTENHAM-SE ELES pelas pessoas que queimaram nas fogueiras durante a inquisição.
Acordem para a realidade e não queiram fazer julgamentos indevidos da vida dos outros!
Incompleto é aquele que não tem ou não quer ter uma visão aberta do mundo actual. É aquele se fecha no seu próprio mundo e julga o dos outros. O sexo é uma das coisas mais belas da vida e se for feito com amor ainda é melhor. Há algum problema em admitir este facto? Ou temos de fazer tudo escondido para não pecarmos aos olhos dos outros?

quarta-feira, maio 03, 2006

Bairro da Torre


Ontem a SIC Notícias fez entrar para a minha sala, onde estava comodamente sentado num sofá que tanto gosto, as imagens de uma rusga num bairro de lata, o Bairro da Torre , no concelho de Loures, a dois passos de Lisboa. Não me vou aqui pronunciar sobre o direito que a polícia tem de evadir a casa de um cidadão, algemá-lo e começar a procurar armas. Nem sequer vou falar da notícia que dá conta que essas mesmas armas possam ter sido utilizadas para disparar contra os aviões do aeroporto da portela, pondo em causa a segurança dos tripulantes.
Incomoda-me estar sentado confortavelmente em minha casa, e ter a noção que existe tanta gente, sem as condições mínimas para viver. Barracas, sem sistemas de esgotos, sem água canalizada, onde o saneamento básico é uma ilusão, bem perto da capital de um país da Europa. Onde está o direito à habitação? Haverá algum orçamento de estado que se preocupe em distribuir bem as verbas de modo a que se ofereça um nível de vida digno a estes seres humanos? Ou será que estes bairros existem porque até dão jeito aos políticos, que em períodos eleitorais, os utilizam para demagogicamente se mostrarem amigos dos mais desfavorecidos? Ou será que a solução é comprarmos mais alguns submarinos e brincarmos às guerras?

segunda-feira, maio 01, 2006

Viva o 1º de Maio